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| A FATOR |
04/10/2007 - 10:35Riocenacontemporanea: 8ª edição do único festival internacional de artes cênicas do Rio de Janeiro se espalha pela cidadeDe 5 a 14 de outubro, a cidade se transforma em palco das artes cênicas. Oi Futuro e IAB (Espaço InventariOi), Espaço SESC, Teatro SESC Ginástico, CAIXA Cultural Rio – Teatro Nelson Rodrigues e Galeria Grande, Centro Cultural da Ação da Cidadania, CCBB, Teatro Cacilda Becker, Teatro Glauce Rocha, SESC Engenho de Dentro, SESC Niterói, SESC São Gonçalo, SESC São João de Meriti, SESC Nova Iguaçu, SESC Ramos, SESC Madureira e nas ruas do Centro, Lapa e de Ipanema Durante o mês de outubro, o Rio de Janeiro vira um grande palco para a programação da 8ª edição do riocenacontemporanea, um dos maiores e mais importantes festivais de artes cênicas do país. Durante dez dias – de 5 a 14 -, o riocenacontemporanea ocupa os quatro cantos da cidade, com mais de 70 atrações, entre espetáculos nacionais e internacionais, performances, processos, leituras, instalações, Mostra Universitária, Mostra da Cena Portuguesa, noites performáticas e musicais no Cabaré, filmes e vídeos, além de encontros, atividades formativas, oficinas e palestras. Uma programação diversificada e ousada, que é destaque no roteiro cultural mundial. Este ano, o conceito que norteia a programação é o do Inventário. Com essa idéia em mente, o riocenacontemporanea propõe o resgate da sua própria memória e da cena. Um dos pontos que exemplifica essa intenção é a volta do festival ao Centro Cultural Ação da Cidadania, espaço onde, em 1996, o diretor José Celso Martinez e seu grupo, o Teatro Oficina Uzyna Uzona, apresentaram “As Bacantes”. É neste mesmo cenário, próximo à Praça Mauá, que, este ano, Zé Celso transporta para os palcos a saga de Euclides da Cunha “Os Sertões”, num espetáculo dividido em cinco partes, com um total de 26 horas de duração. — A idéia é olhar para trás e sempre continuar caminhando. Afinal, são dez anos de riocenacontemporanea. Em 2007, o festival visa a catalogar, ser catalogado, despertar o desejo de reunir partes, objetos, palavras, imagens, cenas que desenhem o nosso tempo agora nesta cidade. A cena se compõe da combinação do arquivo do artista que apresenta com o do público que participa. O Festival se coloca como o espaço para este livre jogo. A cena contemporânea não deve se restringir a apontar novidades. Nossa meta é resgatar o passado e usá-lo como referência — explicam os diretores do festival, Bia Junqueira, César Augusto, Fábio Ferreira, Isabel Lito e Márcia Dias, também conhecidos como “Os contemporâneos”. Seguindo o conceito do Inventário, o riocenacontemporanea traz também espetáculos de diretores que participaram de outras edições do festival. Entre eles, a estréia de “Por uma vida um pouco menos ordinária”, do diretor Gilberto Gawronski. Estrelado por Eduardo Moscovis, Liliane Castro e Joelson Medeiros, Por uma Vida um Pouco Menos Ordinária foi escrita por Daniela Pereira de Carvalho, autora revelação do I Prêmio Eletrobrás de Teatro, no ano passado. Filmes e vídeos também foram escolhidos a partir da idéia que norteia o festival. Exemplo disso são os vídeos-instalações do cineasta e artista plástico Pierre Coulibeuf, destaque da seção “Who is Who”. Seu trabalho gira em torno da idéia de portrait, com o sujeito em constante evolução. Por meio das imagens, ele busca uma adaptação da imagem social, da identidade do artista — neste caso, Marina Abramovic, Michelangelo Pistoletto e Meg Stuart – junto às imagens ficcionais. Outra atração é o filme “Divagações em um quarto de hotel”, de Philippe Barcinski, que estréia nacionalmente durante o festival. Uma releitura do espetáculo de dança Eu e o Meu Coreógrafo no 63, de Bruno Beltrão. A exibição é a primeira no Brasil e uma das raras oportunidades do público brasileiro de conhecer este trabalho. Já o diretor italiano Romeo Castellucci, da Socìetas Raffaello Sanzio, propõe uma nova aventura teatral. A partir de um simples chamado — “Hey Girl!” —, Castellucci constrói um espetáculo feito de uma série de enigmas que cada espectador pode resolver do seu jeito. Graças à tecnologia em cena, uma menina se multiplica no palco como um prisma transparente e mostra todas as suas facetas ao mesmo tempo, numa incrível variedade de cores, temperaturas e gestos. O riocenacontemporanea é apresentado pela Petrobras e pela Oi, e patrocinado pela Caixa Econômica Federal e Centro Cultural Banco do Brasil (que também apresenta a Mostra Cena Portuguesa). Entre os parceiros, Funarte, SESC Rio, Sesc SP, Ministério da Cultura, Lei do Incentivo à Cultura e Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. Nas parcerias institucionais, British Council, Consulado da França, Cultures France, Instituto Italiano, Centro Cultural da Ação da Cidadania, Universidade Federal do Rio de Janeiro e Núcleo dos Festivais Internacionais. E promoção da TV Globo, O Globo, Multishow e Rádio CBN. Programação internacional: São 14 atrações no total — cinco peças, três instalações, dois espetáculos de dança, além de quatro espetáculos que formam a Mostra da Cena Portuguesa. Do Reino Unido, vem o escritor, ator e professor Tim Crouch, fundador do Public Parts Theatre. Crouch apresentará duas de suas mais significativas peças, “A árvore do carvalho” (“An oak tree”), premiada no festival de Edimburgo, em 2005, e “Meu braço” (“My Arm”), apresentada também nesse mesmo festival dois anos antes. Da França, vem o sérvio Josef Nadj, radicado em Paris há 27 anos, e que já foi curador do Festival de Avignon, um dos mais importantes festivais de teatro do mundo. Em “Paisagem depois da tempestade”, Nadj se inspira na sua cidade natal, Vojvodine, um pequeno vilarejo na antiga Iugoslávia, para compor o espetáculo. Em cena, a literatura está ausente e se destaca o gesto corporal em relação com a música e a pintura. O trabalho marca a volta aos palcos desse premiado e conceituado coreógrafo. Da cena argentina, destaque para Alejandro Tantanian e para a Cia. El Periférico de Objetos. Tantanian mostra uma readaptação do clássico “O idiota”, de Fiódor Dostoiévski, em “Los Mansos”, em que utiliza uma série de elementos extraídos de sua vida familiar. Já o grupo El Periférico de Objetos apresenta “O manifesto das crianças”, direção coletiva de Ana Alvarado, Emilio García Wehbi e Daniel Veronese — este último já participou do festival em edições anteriores. “O manifesto das crianças” teve sua estréia mundial Festival Kunsten de Artes, na Bélgica. Da Itália, vem a premiada companhia Socìetas Raffaello Sanzio, dos irmãos Claudia e Romeo Castellucci e Chiara Guidi, que trazem “Hey Girl!”. A partir de um chamado — “Hey Girl!” — Castellucci constrói um espetáculo feito de enigmas que cada espectador pode resolver à sua maneira. O italiano é considerado um dos maiores expoentes da cena contemporânea internacional. Conhecido por trabalhar com todas as formas e expressões em cena, faz uso dos contrastes que provoca os extremos no público. Castelucci já recebeu diversas menções honrosas dos governos italiano e francês. A Mostra da Cena Portuguesa reflete um recorte da arte cênica lusitana, com os espetáculos “Stabat Mater”, dos Artistas Unidos; “O Grande Criador”, da Companhia do Chapitô, “Quarto Interior”, da Cia. Circolando, e “Pixel”, da Cia. Espaço Tempo, de Rui Horta. A Mostra Cena Portuguesa conta ainda com debates e oficinas com críticos, programadores, artistas e realizadores e ocupará os teatros 1 e 3 do Centro Cultural Banco do Brasil, que esse ano, pela primeira vez, integra a lista de espaços ocupados pelo festival. Alguns destaques da programação nacional - O riocenacontemporanea apresenta 15 espetáculos nacionais de seis estados. São Paulo é a cidade que traz o maior número de peças, cinco ao todo. “Os Sertões”, da Cia de Teatro Uzyna Uzona, de José Celso Martinez, tem números grandiosos: uma equipe de 70 profissionais; cinco toneladas de cenário e objetos de cena; 2,5 mil figurinos e uma platéia de mil espectadores. “BR-3”, da companhia Teatro da Vertigem, com direção de Antônio Araújo, também impressiona. O espetáculo tem a Baía de Guanabara como palco flutuante. O público assiste à apresentação de uma balsa construída especialmente para a montagem, que percorre 15 pontos entre a Ponte Rio-Niterói e a Ilha do Fundão. Ainda da capital paulista, “Aperto meu ex-passo”, de Madalena Bernardes, a personagem narra sua história por meio de uma linguagem própria, inteligível. Já em “Continuum”, da D.A.M., do coreógrafo Roberto Ramos, a ação está centrada na relação entre o corpo e um objeto semi-esférico, cuja trajetória dita as decisões dos três performers em cena. As estréias cariocas — “Glass”, de Haroldo Rego, “Por uma vida um pouco menos ordinária”, com dramaturgia de Daniela Vieira e direção de Gilberto Gawronski, e “Sutura”, montagem de Felipe Vidal a partir do texto do premiado dramaturgo escocês Anthony Neilson — têm pré-estréia durante o riocenacontemporanea. O espetáculo de Haroldo Rêgo, que segue em cartaz logo depois do término do festival, mostra três atrizes e objetos cênicos dentro de uma caixa de vidro com 16m2. O público não escuta os diálogos dentro da caixa e, sim, um outro texto gravado pelas atrizes e reproduzido em aparelhos de MP3, que cada espectador recebe ao chegar ao espaço. “Por uma vida um pouco menos ordinária” conta a história de um casal de irmãos que se envolve em uma seqüência trágica de acontecimentos depois que um deles, acidentalmente, atira em um desconhecido. Já “Sutura” é sobre um casal que, à luz da gravidez, resolve discutir sua tempestuosa relação. Da capital goiana, o trabalho performático “(Bod)-y-steria” apresenta uma mistura multimídia, em forma de monólogo, que inclui vídeos, dança, canções e performances em cena aberta com o público. Da capital paranaense, a Cia. Vigor Mortis apresenta “Garotas vampiras nunca bebem vinho”, de Paulo Biscaia, um espetáculo em que a atriz, sozinha, contracena com nove personagens projetados num telão transparente. Da mesma cidade, o monólogo “A Queda”, de Mauro Zanatta e Marcelo Marchioro, é uma adaptação do romance homônimo de Albert Camus. Mostra universitária - A Mostra Nacional de Teatro Universitário chega à quarta edição com um número recorde de inscritos. Ao todo, 70 grupos de faculdades de artes cênicas de várias cidades do país inscreveram seus trabalhos para a mostra. Desse total, 15 grupos apresentam seus espetáculos no riocenacontemporanea. Os três melhores, na opinião do júri formado por Oscar Saraiva, Patrícia Borba, Nanci Freitas, Michel Bercovitch e João Coelho, recebem, cada, um prêmio de R$ 5 mil. A Mostra Universitária, que acontece entre os dias 5 e 13 de outubro, tem entrada franca. Cada grupo fará três apresentações em diferentes palcos espalhados pela cidade. São eles: teatros Funarte/Glauce Rocha, Funarte/Cacilda Becker, Sesc Niterói, Sesc São João do Meriti, Sesc São Gonçalo, Sesc Nova Iguaçu, Sesc Madureira, Sesc Ramos e Sesc Engenho de Dentro. Cabaré - O Centro Cultural Ação da Cidadania, na Zona Portuária, será tomado pelo já famoso Cabaré, grande ponto de encontro em formato de festa, que reúne atrações musicais, performances, instalações, processos e DJs. A curadoria musical é assinada por Bruno Levinson, e apresenta várias atrações no palco/show. No palco central, um dos espaços mais dançantes do armazém, bandas e DJs tocarão a partir de 23h. Por lá passarão os artistas DJ Paulo Futura; Edgar Scandurra, Brasov e DJ Amandio; Arlindo Cruz; Fino Coletivo e DJ Jonas Rocha; Andre Abujamra; Stereo Maracanã e DJ Maurício Valladares. Três grandes instalações prometem chamar a atenção do público, que poderá interagir com as obras. O artista Raul Mourão mostrará um trabalho inédito, “Quadra”. Um grande volume vazado construído com tubos de ferro e telas de arame — com quatro metros de altura por quatro de largura e 12 de profundidade —, similar aos alambrados que cercam as quadras de futebol. Já Nuno Ramos trará a sua Carolina para o Rio, obra em que a palavra vira objeto através de duas paredes feitas com caixas de som que conversam entre si. A terceira instalação, “Velatura”, de Suzana Queiroga, é uma estrutura inflável em plástico PVC pneumático, transparente e vermelho, onde o público poderá entrar, e que também servirá de suporte cenográfico para uma das várias performances do Cabaré. Entre as performances, está a intervenção “Estação Terminal”, da Companhia Ensaio Aberto, que traz à cena o diário de Lima Barreto durante os períodos em que ficou recluso. “comPATBilidade” é uma performance que pretende questionar a relação do ser humano com a idéia de beleza. Com um guarda-roupa como elemento cênico, repleto de roupas, calçados, acessórios, bijuterias etc., a artista Patrícia Bárbara se transformará em uma boneca a ser manejada pelo público, a exemplo das Barbies e similares, contudo, diferindo destas, que são reproduções de um padrão, a artista tem 1,60m de altura e pesa 92kg. Dentro da programação, estão previstas também vídeo-performances. Entre elas está “Desfute”, que mescla gravações produzidas com imagens feitas ao vivo. Tudo remete às estampas frutais de toalhas de mesa, que se relacionam com frutas reais de uma maneira ambígua e erótica. O vídeo será projetado em cubos e editado ao vivo e, através de efeitos e variações de ritmo, as imagens ganham significados e valores visuais distintos. A performance ao vivo, e totalmente interativa com o público, é a da atriz Lívia Moura, que degusta e se lambuza com frutas. O público poderá interferir nas imagens e participar da performance. Haverá também um espaço para exibições de vídeos. Um deles é “Sensações Contrárias”, um vídeo-dança que se passa no Recôncavo Baiano, região de passado coronelista. O ambiente provinciano e decadente gera uma represália das livres expressões sexuais, criando uma tensão entre desejo e cerceamento. Palco Petrobras - Pelo segundo ano consecutivo, o riocenacontemporanea recebe o projeto Palco Petrobras - espaço criado e construído especialmente para promover palestras, master class, debates e oficinas, além de exibição de vídeos e lançamentos de publicações. É um lugar que proporciona ao público o encontro com profissionais de artes cênicas do Brasil e do mundo, estimulando a troca de conhecimento e o pensamento crítico. Em 2007, o Palco Petrobras será instalado no Centro Cultural da Ação da Cidadania. Com curadoria é de Thereza Rocha e Daniele Ávila, a programação traz uma novidade: “cenacriticacontemporanea” – oficinas onde jovens críticos serão incentivados e orientados no exercício diário de crítica dos espetáculos da programação. As críticas serão publicadas no site do festival: www.riocenacontemporanea.com.br. Toda a programação é gratuita. No “Dossiê Inventário”, quatro encontros pontuam a programação: “Abertura do Arquivo”, com artistas pláticos como Raul Mourão, Suzana Queiroga, Franklin Cassaro e mediação de Tunga; “Criticário da cena crítica contemporânea”, com os críticos Roberto Pereira, Tânia Brandão, Cecília Cotrim e mediação de Beatriz Resende; “Imaginário de festivais”, com os diretores dos oito festivais que integram o Núcleo de Festivais Internacionais de Artes Cênicas do Brasil; e “Glossário da coleção”, com Márcia Tiburi, Heloísa Buarque de Hollanda e Nayse López. Já o “Pensamento Cênico” traz palestras ministradas por pensadores direta ou indiretamente ligados à cena contemporânea nacional e internacional. São eles: Eleonora Fabião (UFRJ), José da Costa (Unirio), Márcia Tiburi, Maria Helena Werneck (Unirio), Óscar Cornago, Sandra Meyer (UDESC) e Vitor Lemos (UniverCidade). Em “Debates da nova cena”, profissionais ligados à cena contemporânea — Antonio Guedes, Daniel Schenker, Fátima Saadi, Michelle Nicié, Paula Sandroni, Ivan Sugahara e Rosyane Trotta — discutem os espetáculos que compõem a programação da Mostra Nacional de Teatro Universitário. Os artistas que participam da programação do festival não poderiam ficam de fora do Palco Petrobras. O “Encontro entre Artistas” traz conversas-entrevistas com as personalidades que se apresentam no riocenacontemporanea. Já o “Entreato com os Autores” proporcionará uma espécie de sala de estar entre público e participantes do Palco Petrobras, onde acontecerá lançamento de livros e publicações, e exibição de filmes e documentários de artistas e companhias. | Site: www.riocenacontemporanea.com.br Enviar Imprimir
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